"The Alchemy of a changing life is the only truth"
(Rumi)

"A magia é um acto transformador e a verdadeira transformação tem lugar bem fundo nas nossas raízes."

(Teresa Moorey "A Sabedoria das Árvores")

"Desapareça o que é velho, a putrefacção e o bolor desta massa informe: venha, pois, a eterna vastidão de um espírito liberto, um ser tão livre que projecta a imagem da eterna esperança na mais pequena gota de orvalho pousada no cálice de uma flor."
(Shakespeare)

January 25, 2017

Elixir Vibracional de Colibri- Beleza Pura


Há 6 meses sonhei com um ninho destes seres e, na “vida real”, o meu mestre mexicano D. Alfredo Gonzalez tinha-me oferecido um para me dar boa sorte, tendo-o eu sempre guardado comigo no meio das viagens, descansando agora num dos altares da casa. É curioso ser ele o primeiro animal a ser sintonizado, pois faz a ponte com o mundo vegetal: eles conhecem as propriedades curativas das flores (a parte da planta com vibração mais alta), e ensinam-nos a criarmos a nossa cura através dos florais relembrando (por causa da sua importância na polinização), que quanto mais dermos mais recebemos. SER torna-se pura delícia quando se voa de uma flor à outra provando a sua essência e reflectindo as suas cores na nossa vida.

 D. Alfredo no seu ateliê: o mago que havia convivido com grandes nomes das artes, da politica e da ciência e que viveu os seus últimos anos numa cabana ao lado de uma estrada poeirenta mostrando reproduções arqueológicas a turistas que muitas vezes vinham apenas para escutar as suas histórias

A sintonização foi realizada no último dia do ano de 2016 – só depois soube que é considerado o animal xamânico do mês de Janeiro!-, com o auxílio do ninho e do geode que costumo utilizar, colocado no centro da roda de medicina que construímos no nosso terreno e evocando as minhas memórias com colibris do outro lado do Atlântico.





Esta foto foi tirada por mim em San Cristobal de Las Casas (Chiapas), a um colibri guerreiro quando acompanhava o seu labor de expulsão das outras aves que vinham tentar beber o néctar das flores do arbusto que ele ocupara. Conseguir “apanhá-lo” num dos seus momento de contemplação foi realmente miraculoso, pois são tão breves quanto intensos... viver contemplando tudo o que existe relembra como encontrar o nosso estado de graça original!

Ao meditar durante a sintonização surgiu um fogo transformador que me foi dito ser uma nova fase de sabedoria no meu processo pessoal. De seguida surgiram meus três ancestrais mexicanos, colocando-se cada um num ponto cardeal estando eu sentada a Oeste a tocar o tambor. Um pequeno ser com corpo de guerreiro humano, muito moreno, e cabeça de colibri de um belo verde iridescente manifestou-se e iniciou uma prolongada dança à volta do geode até que se sentou na pedra central da roda de medicina e daí escorregou para a água dentro daquele, dissolvendo-se por fim muito lentamente como chamas de um fogo que se torna braseiro. Quando acalmou completamente sabia que o processo estava terminado.
No dia a seguir (1º dia do ano), recebemos a notícia de que uma pessoa de família tinha tido um enfarte e os nossos corações, que andavam a pressentir esse evento havia semanas, ficaram pesados e tristes. Enquanto pegávamos no carro para um regresso apressado à civilização decidi experimentar umas gotinhas, do elixir que resultou da sintonização, e foi notória a leveza e fortaleza a regressar ao plexo cardíaco. Era uma leveza focada e precisa que afastou o caos mental que se tinha instalado.

Nas várias culturas nativo americanas, o colibri parece partilhar a simbologia da nossa origem divina, recordando-nos que somos filhos do sol e da lua, do espírito e da matéria e de todo o processo criador. Na mitologia do México Central esta associado a Huitzilopochtli, o filho da deusa Coatlicue (da fertilidade), e de Tonatiuh (o sol jovem), sendo o seu animal de poder. Este é um “deus ascendente” e a sua contraparte é Tezcatlipoca (espelho negro), um “deus descendente”, ajudando ambos a entender o mistério que envolve as dualidades e contradições e a não deixar que o lado sombra tome conta de nós.
Um outro mito que sobrevive até hoje nas culturas nativas do México, é que o deus solar fertiliza a lua por meio do colibri. No Brasil é chamado “Beija-flor”, de novo evocando qualidades criadoras e dentro do Xamanismo diz-se que atrai o amor como nenhuma outra medicina o pode fazer pois abre o coração.


No México também se acreditava que as almas dos guerreiros caídos na batalha voltavam à terra sob a forma de colibris, como recompensa da sua entrega, coragem e força interior perante a morte. Se se sentir aprisionado ele morre, oferecendo-se em sacrifício dos mais altos ideais de beleza na vida: liberdade ou morte! Hoje ele representa outros princípios guerreiros, o do guerreiro de si mesmo que é capaz de renascer vezes sem conta como se saísse da hibernação como fazem os colibris.

Esta ave, apesar do seu pequeno tamanho, é capaz de viajar grandes distâncias e mesmo de voar para trás e para qualquer outra direcção: para cima, para baixo, para esquerda, para a direita e também ficar parado no ar lembrando uma fada na sua graça e rapidez elegante. O seu maior órgão é o coração, que pode produzir 1200 latidos por minuto. O seu nome em inglês “hummigbird” quer dizer “pássaro que zumbe”, aludindo à vibração produzida pelo som das suas asas e recorda-nos o canturrear de boca fechada que provoca uma massagem interior promovendo a saúde e o equilíbrio.



O colibri é capaz de chegar ao néctar da flor atravessando as capas superficiais mais amargas e é assim um mensageiro de cura através de uma renovação do coração. Oferece claridade, graça, suavidade, alegria pura e doçura que nos ensina a apreciar a magia da nossa existência diária. Ajuda a ver a força do Grande Espírito em tudo o que existe, agradecendo pelo simples facto de estarmos vivos, pois muitas bênçãos nos são continuamente oferecidas. Simboliza o desfrutar da vida e a leveza do ser, pois é um poderoso aliado para elevar a moral e inculcar felicidade nas rotinas diárias e em tudo o que fazemos.

 Reprodução de taça cerâmica mixteca (Zaachila, sudoeste do México), que realizei no ateliê de D. Alfredo (Fevereiro de 2010)- pintura ainda em processo-, com um colibri prestes a beber água. 

Ele ensina-nos a afastarmo-nos da desarmonia e do lado grosseiro das coisas mundanas, oferecendo um boost de energia aos nossos sentidos. Este animal veicula energias de altíssima frequência vibratória e ajuda-nos a unir ao Amor que sustenta todo o Universo manifesto e imanifesto. Recorda-me ainda uma das frases de Henry Miller que mais me inspirou: “Spread joy, love and confusion”
Afirmação: “Vejo a vida de um modo eterno e alegre”
Planeta associado: Vénus

Utilizações: Útil em tempos de mudanças: de casa, trabalho, viagens…, limpeza de resíduos emocionais recentes assim como assuntos que estão por resolver há muito tempo, enfrentar os obstáculos da vida com muita serenidade e auto-aceitação. Protecção espiritual.

Testemunho:

“Num processo de mudança desafiador em que me despi de uma velha e dormente vida, recebo o elixir certo e necessário para o momento de cura que atravesso.

O Colibri tem, sem dúvida, elevado a minha vibração e alimentado o meu espírito guerreiro, suportando-me neste despertar de tão longa hibernação pela sombra, pelo mundano. A claridade que tenho agora nos meus 5 sentidos é libertadora, assim como, a auto-estima, amor-próprio, alegria; perceber de novo como é viver o Habitat pelos olhos de uma fada; também estou certa que, ao resgatar o amor em mim e atrair o amor no outro, ligou-me e empatizou-me mais com o meu filho, criando uma ação de troca e podendo ajudá-lo da forma que não tinha conseguido até agora; ousaria acrescentar até que a minha capacidade de auto-proteção em relação aos outros aperfeiçoou bastante e a aceitação e tranquilidade de estar ao serviço também.

Mas julgo não haver maior prova, se há lugar ou necessidade para tal, o facto de, tendo iniciado uma pré-menopausa aos 37 anos e uma menopausa (medo de não ser aceite e de aceitar-se, auto-rejeição, medo de envelhecer) há quase 1 ano e meio, ter voltado a ter ligeira menstruação  durante 3 dias.

Posto isto, tenho que repor o 1/2 litro de água que perdi em lágrimas ao escrever esta catarse, e sou-te grata por teres-me "obrigado" a fazê-la.

Humildemente grata Yonah, por tudo!”


Informação em inglês:

https://www.instagram.com/p/CkJjLv2j6iP/


© Sofia Ferreira


March 28, 2016

Elixir Vibracional de Castanheiro (Castanea Sativa)- Amor Fraternal





“O chestnut tree, great rooted blossomer,
Are you the leaf, the blossom or the fruit?
O body swayed to music, o brightening glance,
How can we know the dancer from the dance?”
W. B. Yeats 

Sintonizado a 28 de Dezembro, dia de Agappe (do grego para “amor fraternal”), simbolizado por um banquete de confraternização, a refeição que os cristãos dos primeiros séculos faziam em comum. A captação foi realizada num bosque de castanheiros centenários num vale galego isolado através do método de solarização com um belo geode de ametista.

Este cristal transmuta energias negativas em amor, conduz a estados de consciência mais elevados, cria altruísmo e harmoniza as energias das pessoas que estejam num mesmo espaço. A Ametista facilita ainda a tomada de decisões pois torna-nos mais focados e em controle das nossas faculdades, colocando os insights em acções, algo que o sol estando no signo de Capricórnio aquando da captação potencializa. Ajuda portanto a estabelecer objectivos realistas e é o início da acção social potenciado por esta árvore estar alquimicamente sob a influência do planeta Júpiter, de quem -na mitologia grega-, Artemisa ao fugir se transformou em castanheiro. Daí os gregos chamarem às castanhas dios balanos : "bolotas de Júpiter".

Neste dia, ao caminhar em direcção ao castanheiro com que já tinha estabelecido relação, dois cavalos brancos bloqueavam o carreiro que a ele me conduzia. Fizeram-me lembrar o unicórnio com que sonhara havia muitos anos atrás, precisamente depois de começar a estudar Espagíria (Alquimia Vegetal), e que no sonho me levava através de uma ponte de pedra a um Agappe com amigos, presidido justamente pelo meu mestre espagirista. Diz-se que os castanheiros já ocos são como um forno alquímico, um Athanor natural!

Quando coloquei o cristal com a água na base do castanheiro, levantei os olhos e vi o sol a surgir precisamente por detrás da montanha chegando os seus raios em linha recta pelo bosque invernal. Sorri interiormente pelas permanentes sincronias e fui meditar.

Vi danças e alegria numa festa antiga em que corria o hidromel e a mensagem de “carpe diem” surgiu-me claramente: aproveita a vida pois ela é breve! Vi depois um ser de idade avançada, do tamanho de um ser humano pequeno, quase despido, magro, com barba e ar de eremita com o seu bastão, mas ágil e jovial e que me falou sobre a qualidade da eterna juventude: algo que vinha a propósito pois este era o dia em que cumpria os meus 40 anos de vida. Ao escutá-lo disse que devíamos viver a vida em permanente celebração da maravilha e do mistério de estarmos vivos. De facto, na tradição druídica havia razões para celebrar a cada 6 semanas e a comunidade reencontrava a harmonia ao festejar a abundância, sendo que esta é uma árvore altamente produtiva e por isso considerada por muitos povos como símbolo de perenidade e fartura, amparo da fome e abrigo aconchegado, centro de convívio nos dias de Inverno. Este era o entendimento das leis dos rituais e das cerimónias, da cooperação que quebra o nosso isolamento e acima de tudo o reconhecimento interior da nossa ligação a toda a comunidade da Natureza.
Foi um vento forte, que levantou numa dança as folhas castanhas que atapetavam o chão, que me mostrou que o processo estava terminado. Quando regressava a casa a chuva caiu tempestuosamente até ao fim do dia e agradeci aos elementos as bênçãos que continuamente recebia.

Simboliza novos níveis de consciência e a transformação numa nova vida da qual somos mestres. Tem a ver com quebrar velhos padrões mostrando que é possível restaurar a doçura na nossa vida, a esperança e a força. Representa a partilha, existe inclusive uma historia que justifica o facto dos ouriços terem três castanhas porque uma é para quem os encontra, outra para o seu vizinho e a terceira para Deus. O poder nutricional do seu fruto dá-nos a força necessária para descobrir o mel que se esconde na árvore da vida. Devemos realizar aquilo que nos dá mais alegria, tudo o mais é abnegação e rejeição.


Casa na árvore com escada interna no castanheiro oco

Afirmação: “Estou segur@ e inserid@ no meu papel no mundo”

Testemunho: "No meu trabalho enquanto terapeuta notei uma grande diferença na maneira como encaro o processo pessoal de cada um: passei a contemplar com amor verdadeiro, sabendo que está tudo certo." (Antonio)


© Sofia Ferreira